Ride les marées d'inspiration

Ride les marées d'inspiration

domingo, 4 de abril de 2010

ancorada


Aqui em meu leito,
Ancorada em meus pensamentos madraços,
Sufocada pelo pudor etéreo dos meus seios,
Assola-me tua lembrança:
Teu olhar pesado e perfurante,
Teu enlace num cálice de paixão.
Em vão procuro libertar-me de tal pungência.
Arde minha púbis mádida...
Amar-te num júbilo de ancião.
E meus despojos cadavéricos, velhos, secos
Ancilarão tudo aquilo que aqui está intrínseco
Impedido, pelo meu ciar,
De te procurar, de te desejar,
De te enfrentar, de te vencer,
De te oferecer meu leite, meu mel, meu néctar
Resguardado pelo meu sezão.
Agora te convido a vir ceifar-me
De sol a sol até perder de vista.
E não me avisa quando o sol partir.
Quero que descubras, meu malsim,
O que há em mim.
E me cura, me una a ti,
Num amor puro e imaculado.
E me perdoa o meu maluquear.
É que tento sempre me esquivar
Daquilo que me alucina,
Daquilo que me cega, que me pega desprevenida.
Vem, me deixa despida
De todo pecado de te recusar, te afastar de mim.
Abençoa-me aí em teu leito,
Ancora-me em teus pensamentos,
Sufoca-me
Assola-me
Perfura-me
Enlaça-me
Ameaça-me
Despedaça-me...

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